Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Uma história simples

Uma história simples

Realização: David Linch
Com: Richard Farnsworth e Sissy Spacek
Duração: 113m
Ano: 1999
Baseado numa história da vida real, que aconteceu com pessoas reais, Uma História Simples relata a demanda de uma relação interrompida por parte de um simpático idoso de 73 anos. Quando, por força da idade, os alarmes da decadência física se manifestam, um desejo vai ganhando forma na mente desse idoso: reencontrar o irmão, com quem há muito está desavindo. Desejo esse tornado ainda mais urgente por algo que aconteceu ao seu irmão…Com uma determinação que contraria a sua fragilidade física, vai engendrar uma bem pouco provável forma de se transportar ao longo da viagem. Viagem esta que, ao sentir que tem que a fazer e que tem que a fazer sozinho, vai constituir, também, uma catarse de velhos demónios, vindos de um passado que não deixa de o assombrar, e de reencontro consigo mesmo, qual espaço de síntese do que é importante na vida. Nesse sentido, este filme é um poema feito imagem, de que a banda sonora é a moldura perfeita, e a prova de que, por vezes, a normalidade pode ser a mais fantástica das coisas.
Passando-se no coração da América rural, somos confrontados com um retrato idílico, onde a bondade e amabilidade das pessoas é uma constante, o que não deixa de ser estranho relativamente à linha habitual dos filmes de David Linch e aos personagens que habitualmente privilegia.
Por último, deixem-me sublinhar a fabulosa interpretação de Richard Farnsworth, ele próprio quase octogenário, no papel do protagonista Alvin Straight.
M. Romano

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

A JANGADA DE PEDRA (1986)

José Saramago

Romance

A actualidade da nossa época parece convidar-nos a ler ou a reler esta obra de Saramago, dada ao prelo no ano em que Portugal entrava para a União Europeia.
Mais uma vez assistimos ao processo de montagem de uma alegoria que tem como cerne o questionamento sobre a pertinência da adesão dos países ibéricos à Europa comunitária. Os protagonistas mais não fazem do que agenciar simbolicamente a separação da Península pela linha fronteiriça dos Pirinéus, pondo à deriva, no oceano, a “jangada de pedra”.
Pedro Orce, José Anaíço, Maria Guavaira e Joana Carda aos quais se junta o cão C erbere e, m ais tarde, Joaquim Sassa e o burro Platero, celebram o maravilhoso, mais uma vez presente nesta obra, tal como acontece em tantas outras de Saramago.
As personagens viverão histórias de companheirismo e solidariedade, mas também de amor e amizade a que não são alheios os factos transcendentais que os unem: seguir um cão ou ser seguido por um bando de estorninhos, riscar o chão com uma vara de negrilho ou desfazer uma meia de lã azul, atirar ao mar uma pesada pedra ou sentir o chão tremer debaixo dos pés, tais são os factos que, por mais incompreensíveis que se afigurem, arrastam as personagens para uma demanda insólita.
Separada do resto da Europa, a Península Ibérica voga no oceano, aproximando-se perigosamente dos Açores que faria submergir com toda a sua população, caso não fosse afastar-se subitamente, como que por milagre, em direcção ao continente americano. A “jangada de pedra” parece procurar o seu rumo. Imobilizar-se-á algures entre o continente africano e a América do Sul. Esse facto coincidirá com outro, não menos extraordinário, o de todas as mulheres se declararem “grávidas”. Talvez os filhos sejam os marinheiros desse outro barco de pedra que Pedro Orce encontrou na praia, com a popa virada ao mar. Talvez haja uma epopeia de sentido contrário, a escrever! Será esse um dos possíveis sentidos deste romance?

Graça Viana Reis

Terça-feira, 24 de Março de 2009

PERSÉPOLIS

Realização: Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud

Vozes: Chiara Mastroiani, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian e Gabrielle Lopes

Duração: 95 m

Exemplo de como o cinema de animação pode tratar de temas da maior seriedade, Persépolis assume-se, tanto ao nível estético como no que ao conteúdo diz respeito, como uma poderosa obra, verdadeira poesia animada, como disse M. Cintra Ferreira no Expresso. Nomeado para os Óscares 2008, é uma história simples contada de forma simples. Como na banda desenhada de Marjane Satrapi, em que é baseado, o filme dirigido pela própria Satrapi e Vincent Paronnaud consiste essencialmente numa série de desenhos em preto e branco, de grossas linhas negras preenchidas por nuances de cinza, numa estética muito simples despojada da parafernália de efeitos especiais que habitualmente encontramos nos filmes de animação.

A partir da experiência de vida de Marjane, apresenta-se uma história de amor de uma jovem pelo seu país, no qual, contudo, se sente abafada pelo jugo dos preceitos ditatoriais que aí vigoram. Tendo o Irão e as transformações políticas e sociais que tiveram lugar desde a destituição do Xá como pano de fundo, somos confrontados com um quadro, tantas vezes repetido ao longo da história e em diversas latitudes, em que a euforia popular, pós libertação da ditadura, dá lugar a sistemas de governo, por vezes, ainda mais repressivos. Marjane, porque os seus pais não consideravam aquela circunstância ideal para o seu crescimento e formação, é enviada para a Áustria, experiência essa que se revela mais tormentosa do que seria de esperar, o que vai fazendo crescer um sentimento de desencanto e a necessidade de regresso ao colo familiar apesar da repressão social e política que sabe ir encontrar. O desejo de liberdade bate, como que numa parede, no ambiente claustrofóbico que o fundamentalismo ditatorial tinha implementado. A protagonista é naturalmente rebelde, assumindo a liberdade como um direito inalienável. Para isso muito contribuiu a sua avó, fonte de humor e de orientação moral para Marjane e ao mesmo tempo encarnação de um feminismo contido que perpassa pelo filme.

Várias são as mensagens éticas que nos são apresentadas, das quais destaco a afirmação de que todos temos escolha e, como tal, somos intrinsecamente livres, mesmo quando a circunstância nos quer privar dessa liberdade.

M. Romano

O Delfim

Baseado na obra homónima de José Cardoso Pires, este
filme cumpre uma árdua tarefa que é a de passar para
linguagem cinematográfica uma obra que, pelas suas
características, nomeadamente as longas meditações e
outras viagens interiores, torna esse objectivo bem difícil.
Em toda a história há um drama pessoal, que, dada a
altura em que foi escrito o livro que dá lastro ao filme,
pode ser entendido como metáfora do desabar de todo
um mundo fechado, autoritário e hipócrita como era o
Portugal do tempo da ditadura. A lagoa e família Palma
Bravo aparecem, aos olhos das pessoas, como tendo a
mesma história, a mesma constância, como uma
inevitabilidade que, apesar disso, se está a destruir por
dentro, até se enterrar na tragédia (tal como o regime
político que mal se aguentava, depois de Oliveira Salazar
ter entrado em agonia). Tomás da Palma Bravo é a alma
negra que corporiza o que de mais odioso se reconhece
na afirmação do autoritarismo e na desclassificação dos
semelhantes. Tanto doma cães como servos, homens e
mulheres, pelo prazer da autoridade, pelo desejo de tudo
subjugar.
Por toda a obra grassa um sentimento de solidão e de
tragédia que se vai tornando cada vez mais presente. É
neste contexto que a personagem de Maria das Mercês
(Alexandra Lencastre) se me afigura como nuclear.
Mulher subjugada e rendida, de desejo sempre por
satisfazer, é como que o barómetro do crescimento da
tensão que desde o início se manifesta.
Pejado de simbologias de que o realizador se socorre,
destaco uma cena, logo no início do filme, em que um
lagarto espreita as pessoas que saem da igreja, numa
alusão/tornar presente do mal que, sob um manto de
piedade e contenção, se esconde.
Realização:
Fernando Lopes
Com:
Rogério Samora
Alexandra Lencastre
Rui Morisson
Miguel Guilherme
Milton Lopes

Crtica: Prof. Manuel Romano

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Bilbioteca Escolar da Escola Secundária de Monserrate

Bilbioteca Escolar da Escola Secundária de Monserrate