terça-feira, 24 de março de 2009

PERSÉPOLIS

Realização: Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud

Vozes: Chiara Mastroiani, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian e Gabrielle Lopes

Duração: 95 m

Exemplo de como o cinema de animação pode tratar de temas da maior seriedade, Persépolis assume-se, tanto ao nível estético como no que ao conteúdo diz respeito, como uma poderosa obra, verdadeira poesia animada, como disse M. Cintra Ferreira no Expresso. Nomeado para os Óscares 2008, é uma história simples contada de forma simples. Como na banda desenhada de Marjane Satrapi, em que é baseado, o filme dirigido pela própria Satrapi e Vincent Paronnaud consiste essencialmente numa série de desenhos em preto e branco, de grossas linhas negras preenchidas por nuances de cinza, numa estética muito simples despojada da parafernália de efeitos especiais que habitualmente encontramos nos filmes de animação.

A partir da experiência de vida de Marjane, apresenta-se uma história de amor de uma jovem pelo seu país, no qual, contudo, se sente abafada pelo jugo dos preceitos ditatoriais que aí vigoram. Tendo o Irão e as transformações políticas e sociais que tiveram lugar desde a destituição do Xá como pano de fundo, somos confrontados com um quadro, tantas vezes repetido ao longo da história e em diversas latitudes, em que a euforia popular, pós libertação da ditadura, dá lugar a sistemas de governo, por vezes, ainda mais repressivos. Marjane, porque os seus pais não consideravam aquela circunstância ideal para o seu crescimento e formação, é enviada para a Áustria, experiência essa que se revela mais tormentosa do que seria de esperar, o que vai fazendo crescer um sentimento de desencanto e a necessidade de regresso ao colo familiar apesar da repressão social e política que sabe ir encontrar. O desejo de liberdade bate, como que numa parede, no ambiente claustrofóbico que o fundamentalismo ditatorial tinha implementado. A protagonista é naturalmente rebelde, assumindo a liberdade como um direito inalienável. Para isso muito contribuiu a sua avó, fonte de humor e de orientação moral para Marjane e ao mesmo tempo encarnação de um feminismo contido que perpassa pelo filme.

Várias são as mensagens éticas que nos são apresentadas, das quais destaco a afirmação de que todos temos escolha e, como tal, somos intrinsecamente livres, mesmo quando a circunstância nos quer privar dessa liberdade.

M. Romano

O Delfim

Baseado na obra homónima de José Cardoso Pires, este
filme cumpre uma árdua tarefa que é a de passar para
linguagem cinematográfica uma obra que, pelas suas
características, nomeadamente as longas meditações e
outras viagens interiores, torna esse objectivo bem difícil.
Em toda a história há um drama pessoal, que, dada a
altura em que foi escrito o livro que dá lastro ao filme,
pode ser entendido como metáfora do desabar de todo
um mundo fechado, autoritário e hipócrita como era o
Portugal do tempo da ditadura. A lagoa e família Palma
Bravo aparecem, aos olhos das pessoas, como tendo a
mesma história, a mesma constância, como uma
inevitabilidade que, apesar disso, se está a destruir por
dentro, até se enterrar na tragédia (tal como o regime
político que mal se aguentava, depois de Oliveira Salazar
ter entrado em agonia). Tomás da Palma Bravo é a alma
negra que corporiza o que de mais odioso se reconhece
na afirmação do autoritarismo e na desclassificação dos
semelhantes. Tanto doma cães como servos, homens e
mulheres, pelo prazer da autoridade, pelo desejo de tudo
subjugar.
Por toda a obra grassa um sentimento de solidão e de
tragédia que se vai tornando cada vez mais presente. É
neste contexto que a personagem de Maria das Mercês
(Alexandra Lencastre) se me afigura como nuclear.
Mulher subjugada e rendida, de desejo sempre por
satisfazer, é como que o barómetro do crescimento da
tensão que desde o início se manifesta.
Pejado de simbologias de que o realizador se socorre,
destaco uma cena, logo no início do filme, em que um
lagarto espreita as pessoas que saem da igreja, numa
alusão/tornar presente do mal que, sob um manto de
piedade e contenção, se esconde.
Realização:
Fernando Lopes
Com:
Rogério Samora
Alexandra Lencastre
Rui Morisson
Miguel Guilherme
Milton Lopes

Crtica: Prof. Manuel Romano

sexta-feira, 20 de março de 2009

Bilbioteca Escolar da Escola Secundária de Monserrate

Bilbioteca Escolar da Escola Secundária de Monserrate